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Cartas ao director

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Estigma

Domingo, 16 de Julho, o PÚBLICO divulgou um artigo com o título “Estado de esquizofrenia política”, da autoria de Vicente Jorge Silva. O autor serviu-se do dicionário Lello para definir o termo “esquizofrenia”. Há alguns anos, um político assinou neste mesmo jornal um outro artigo com o título “Esquizofrenia” e socorreu-se, então, do dicionário Priberam. Naturalmente, ambos os textos servem a utilidade e o interesse do debate público democrático. Mas o termo “esquizofrenia” vai muito além das definições encontradas. É uma expressão metafórica com uma conotação negativa habitual, um ato discursivo e retórico que assume a intenção crítica de sublinhar o erro, a distorção, a irrealidade argumentativa. Ora, os responsáveis pelo seu uso esquecem que existem pessoas verdadeiras por detrás do termo, avós, pais, filhos e amigos, pessoas conhecidas ou desconhecidas, a viver experiências de sofrimento e destituição associadas à experiência pessoal e familiar da esquizofrenia.

Nos media como na clínica, a primeira tarefa ética deveria consistir não apenas em reconhecer o sofrimento do outro, a “tragédia pessoal” causada pela doença, mas também o carácter pernicioso de muitas respostas sociais à esquizofrenia. A doença mental grave implica não apenas os sintomas com os quais o doente e os seus familiares têm de lidar, mas também o convívio regular com a violência de um discurso que se apropria, abusivamente, do sofrimento alheio. A metáfora pode ser ofensiva e culpabilizante. O processo de adulteração operado pelo abuso de termos diagnósticos banaliza o sofrimento do doente e ofende os seus familiares, ao transformar uma doença numa denominação simbólica negativa, abstrata, insistindo num estigma que persiste e resiste, contra a humanidade que nos é devida na relação com o outro, com todos os outros. Enquanto cidadãos, devemos olhar pelos direitos de todos, indivíduos saudáveis e doentes. Devemos sublinhar o respeito que a todos é devido, nos seus mundos sociais. E o meu interesse, tal como o do PÚBLICO, tem apenas a ver com a obrigação ética de nos respeitarmos uns aos outros.

Manuel João Quartilho, Coimbra

 

Espertalhices

Vem a propósito a recente penhora da colecção Berardo que está em exposição há vários anos no Centro Cultural de Belém. Armazenada e mantida nos conformes a expensas do Estado.

Segundo as notícias, este “muito bem-intencionado senhor” pediu à CGD 500 milhões de euros para comprar uma posição no BCP. Ora, se o dinheiro foi pedido para entrar no banco deveria ser penhorada essa mesma posição.

Agora, penhorar estes artefactos, os quais este senhor manifestou a intenção de se livrar deles já há muitos anos, soa mais a uma jogada por debaixo da mesa. Mais um mistério da justiça portuguesa. Assim vai o dinheiro dos contribuintes.

Manuel Gomes, Lisboa

 

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